Depois, seis meses restantes de um pouco de amor próprio, novos amigos, diversão e verdade. Tudo isso pra perceber que quando tudo estiver ruim, é só esperar, pois tudo, absolutamente tudo, passa. Anda bem agora.
Escrevi isso com 15 anos, fazia alguns meses que eu tinha saído da minha primeira crise depressiva, as coisas eram claras e coerentes de novo, tinha passado.
Mantive por anos um medo incontrolável da tristeza, da perda. Essa época sempre foi uma sombra, uma espécie de lembrete que servia pra dizer que tristeza demais era insuportável.
Alguns meses atrás eu tive outro surto depressivo. É confuso e pesado, eu não consigo me lembrar com clareza de como eu me senti no começo, da mesma forma que também não lembro da minha primeira crise com detalhes. Não tive crises intermináveis de choro mas senti uma dificuldade enorme de abrir os olhos, dormir era tão confortável e vazio que se tornou tudo que eu fazia.
Tudo isso parece visto de fora, vivido por outrem que me conta em detalhes a experiência da perda de sanidade. São 3:47 da manhã, hoje é domingo, 13 de outubro de 2013, e eu me sinto bem, quase feliz.
Não sou mais tão ingenua a ponto de acreditar que vou conseguir correr da tristeza, eu sei que isso também passa, essa sensação de plenitude que me invade é tão efêmera quanto minhas crises. Não me aterroriza pensar que essa plenitude vai acabar. Tudo tem começo, meio e fim, e estou certa que essa depressão também terá.