sábado, 7 de dezembro de 2013

Sobre o ano sem fim

Agora que restam poucas semanas pro fim desse ano, eu não consigo deixar de pensar no quão difíceis e, de alguma forma, especiais, foram os últimos meses. Acho que talvez isso faça parte do sentimento de renovação e termino que o mes de Dezembro carrega. Eu não sei. 
Cerca de seis ou quatro meses atrás eu me encontrava completamente perdida dentro de um sentimento de desespero e vazio. Não sou capaz de explicar a depressão, ou qualquer outra doença que encontre uma morada no meu peito.

A questão é que eu não era eu mesma. Eu tinha me tornado essa cópia cinzenta de quem eu costumava ser, e eu nunca experimentei nada pior do que esse sentimento de “não ser”. Eu não era, e a pior parte é que eu não sabia o que eu queria ser. Não me refiro a emprego ou formações universitárias (apesar da falta de decisão sobre o que fazer com a vida também ter me afetado) eu queria dizer sobre não ser, não ser nada perto de humano, ser um corpo de carne e osso que anda por aí falando e sentindo coisas que parecem não pertencer a si. Se perder é uma falta de sentimento imensa.
Aos poucos, sem eu nem me dar conta, as coisas começaram a fazer sentido outra vez. Não digo isso me referindo a um processo de iluminação e entendimento do que me cerca, eu ainda não entendo tanto assim; Mas algo surgia, aos poucos eu percebia essa coisa, vamos chama-la assim, de coisa, aos poucos essa coisa se criava, se expandia e me contaminava. Ela era tão forte e tão dolorida, essa coisa que começou a tomar conta do meu sangue, ela era impiedosa comigo, me obrigou a lembrar de coisas que eu não queria lembrar, me obrigou a encarar quem era aquela refletida no espelho e…aceitar.
E aceitar é tão complexo. Aceitar de coração aberto e leve todas as coisas que te aconteceram e todas as coisas que você fez, isso é tão libertador e amedrontador ao mesmo tempo. É como vomitar depois de beber demais, sabe? Você se coloca naquela situação, ninguém te obrigou a encher a cara, e você se sente mal e doente, ao mesmo tempo que jogar seus líquidos estomacais pra fora é extremamente agoniante, é o único jeito de cortar o efeito que aquelas doses te causaram. Aceitar o que a vida me deu foi assim. Foi como vomitar depois de querer beber pra esquecer.
Limpado os fluídos pelo chão, o processo dolorido que é aceitar as coisas ruins e não se amargurar por elas, se transformou nesse amor. Esse amor pequeno que eu ainda não sei bem como criar, esse amor que faz com que eu me sinta bonita, que toma conta do meu corpo magro, ele é tão barulhento. Eu sinto esse amor crescer e tomar forma, e abraçar-me, porque esse amor novo, eu só sinto em mim e por mim, e ele me toma pelos braços e me convence, ainda que com a voz muito baixa, de que eu sou alguém, que sou real e que existe esse amor que eu sinto só por mim, que quer me proteger e vem de dentro e não de fora, não vem do outro. Eu só quero que esse amor dure, que essa relação se estenda pelos próximos anos, ainda que eu saiba que as relações longas tendam a ter seus altos e baixos, algo me diz que essa vai ser boa.


PS: a foto de gatinhos não tem realmente nenhum sentido além de que eu gosto muito de gatinhos. amem gatinhos.